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Professor de teatro completa 28 anos de ensino em colégio salesiano   Entrevista
Fonte: Marcella Costa (Milagre do Verbo Agência de Comunicação).

Para o professor José Maurício Cagno, o teatro em um colégio nada tem a ver, em princípio, com descobrir talento, mas, sim, com trabalhar o ser humano como um todo.

 

José Maurício Cagno, ou simplesmente Zé, como é chamado pelos corredores, nas coxias ou no palco do Teatro Auxiliadora, no Colégio Auxiliadora de Ribeirão Preto-SP, completou neste semestre  28 anos como professor de Teatro na instituição de ensino. Dedicado e compreensivo, o ator e diretor fez uma legião de fãs em todos estes anos à frente da disciplina, formando homens e mulheres de valor para o pleno exercício da cidadania.

 

Certo de que Cagno é uma dessas pessoas que despertam algo especial, que abrem os olhos de modo irreversível e que transformam a maneira das pessoas de enxergarem o mundo, o Colégio Auxiliadora gostaria de agradecer todo seu ânimo, doação e carinho. Dono de paciência e competência singulares, ele sempre encarnou o Carisma Salesiano e fez do aprendizado não um trabalho, mas, sim, um contentamento.

  

Uma vida dedicada à arte

            

José Maurício Cagno é formado em Administração de Empresas, no Centro Universitário Moura Lacerda, mas seu destino nas artes cênicas já estava traçado. O amor por essa área começou em 1982, no teatro amador. O início profissional se deu a partir de um teste feito no CPT (Centro de Pesquisas Teatral) do Sesc (Serviço Social do Comércio), em São Paulo, com Antunes Filho. “Concorri com mais de 3 mil pessoas e consegui a vaga. Naquele momento, vendi muitos de meus pertences e vivi exclusivamente dessa vocação”, conta o educador.

 

A primeira experiência em um grupo de teatro foi com a Agnosarte, por mais de 13 anos, ao lado de grandes amigos e companheiros de caminhada como Magno Bucci, Debora Duboc, Dino Bernardi, Onésimo Carvalho, Antonio Barbosa, Cacalo e muitos outros. Depois, atuou como ator no grupo Euritmia, da capital paulista, por seis anos. Lá, fez turnês internacionais e se apresentou na Alemanha, Suíça, Holanda, Itália, Estados Unidos e México. Também foi coordenador do NIT (Núcleo de Investigação Teatral), que começou no Instituto Ribeirão em Cena e, mais tarde, tornou-se independente.

 

Arte-educador

 

O trabalho como arte-educador começou mais ou menos em paralelo à atuação como artista, mais precisamente em 1986, na escola Anglo. Foi professor em muitas instituições da cidade e, dentre elas, do Curso de Artes Cênicas do Centro Universitário Barão de Mauá, por 4 anos. Lá, dirigiu as três primeiras turmas que se formaram. No Colégio Auxiliadora, ele chegou em 1989. “Eu considero o Colégio como se fosse uma segunda casa. Aqui, ganhei o espaço que necessitava para desenvolver meu trabalho no começo de minha caminhada. Tive, nas pessoas de algumas irmãs, como Valentina, Clarice, Maria e Teresinha, acolhimento e compreensão da proposta, além de respeito e credibilidade, pois naquela época praticamente nenhuma escola em Ribeirão Preto tinha uma proposta de teatro-educação. Foi algo pioneiro. Tenho um carinho muito grande, porque aprendi bastante sobre a função da arte na educação”, afirma Cagno.

 

Para o professor, o teatro em um colégio nada tem a ver, em princípio, com descobrir talento, mas, sim, com trabalhar o ser humano como um todo. “Durante o processo, são desenvolvidas várias competências que ajudam na formação integral do jovem, tais como consciência de grupo ou socialização, comunicação, interpretação, superação da inibição, fluência verbal e mental, ampliação do campo estético e criativo. É uma atividade em equipe, mais até que o esporte”, salienta.

 

Ele acredita que o teatro na escola é uma complementação física e psíquica para o estudante, uma vez que muitos alunos participam para superar receios como a timidez. “Eles crescem como pessoa e aprendem a se colocar com opinião, a exercer a expressão corporal, a acessar questões de ordem emocional, a ampliar o campo da criatividade e o senso estético – proporção, ritmo, beleza e tempo – e a discutir os conteúdos daquilo que se está trabalhando. Essas são capacidades que poderão ser usadas em várias áreas da vida. A arte de encenar forma, a partir da realidade do presente, para um futuro que, passo a passo, vai desabrochando”, conclui o educador.